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Turntablism

Turntablism, expressão de origem americana, é a arte de manipular sons e criar músicas usando os toca-discos (turntables) e o mixer. O Dj dessa especialidade, também conhecido como turntablist, é considerado diferenciado pois sua atividade vai muito além de comandar uma festa com sets convencionais.

A mixagem todos devem conhecer, pois esse é o preceito básico para alguém ser considerado um Disc Jóquei. Se um Dj não mixa, ele apenas faz uma seleção musical. E se ele só faz uma seleção musical, ele não é um Dj. Porque isso qualquer um sabe fazer. Os Djs de festa, por exemplo, mixam uma música na outra para não deixar a pista cair, para que a festa não pare nem por um segundo.

"Dj que é Dj tem que saber fazer scratch"

"Dj que é Dj tem que saber fazer scratch"

Emendam uma música na outra ajustando a velocidade, o BPM (batidas por minuto), ou de muitas outras formas, como sobrepondo trechos da letra que combinam com a música anterior, por exemplo. São inúmeras as possibilidades, e os melhores exemplos dentro do rap, além das festas, podem ser encontrados em mixtapes (entenda o que são as mixtapes).

O beat juggling é uma forma de, utilizando dois toca-discos, criar novas seqüências musicais. Com dois discos idênticos, por exemplo, usando os mesmos trechos da mesma faixa, os Djs conseguem criar novas seqüências de batidas, apenas alternando a ordem em que tocam cada disco.

Tudo isso ao vivo, é claro, o que torna a ação mais atrativa para quem vê e muito mais difícil para quem faz. O beat juggling demanda muita técnica, concentração e um ótimo ouvido. Continua difícil de entender? Assista essa rotina do Dj Craze, um dos mestres no assunto.

O scratch é o que mais chama a atenção de fãs e curiosos dentro do turntablism. Do inglês ‘arranhar’, é a manipulação dos discos por parte dos Djs, criando novos sons a partir dos trechos ‘arranhados’. Caso ainda não saiba do que se trata, dê uma olhadinha nesse exemplo do Dj Revolution antes de ler mais um pouco.

Com o tempo e a popularidade do estilo, foram criadas diversas técnicas de scratch, que podem ser comparadas com manobras de skate, por exemplo. São vários os tipos de scratch, cada um com uma denominação e uma forma de aplicação diferente: baby scratch, stabs, scribbles, transformers, crabs, twiddles, etc.

O Dj Qbert, considerado por muitos o melhor ‘scratcher’ do mundo, é o autor de muitas das técnicas e tem alguns DVDs explicativos (Do-It-Yourself 1 e 2) em que mostra, separadamente, cada um desses scratches. Alguns dos vídeos também podem ser achados no You Tube.

Se, mesmo lendo tudo isso, você não se impressionou nem um pouco, assista esses vídeos e conheça o que mais pode ser feito com mixer e toca-discos.

Dj Netik – campeão do DMC 2006

Mike Relm fazendo scratch com DVD em Vancouver

Dj Kypski scratches The Beatles

Pra quem se interessou e quer saber mais sobre o tema, aguarde a parte II do post, onde falaremos sobre a história do scratch, a cena do turntablism no Brasil e o campeonato mundial de Djs, o DMC e muito mais.

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2 Respostas

  1. Wagner

    Boa matéria!
    Importante os dizeres desta, pois muitas vezes nós que gostamos de musicas ouvimos alguns nomes de técnicas e outros do segmento que não conhecemos. Afinal ninguém sabe tudo, não é?
    Só uma observação: Creio que aquela foto da Santa Ceia com um par de toca discos e um mixer, simulando Jesus tocando-as, NÃO caiu muito bem.
    Mas cada um expressa seus pensamentos como quiser, pois estamos em um pais democrático e de livre expressão. Mas reitero que isso pode mexer com o Superego de alguns religiosos. Quem sabe uma foto do nosso presidente (Lula) tocando, do Obama ou até mesmo do John McCain no lugar desta… seria uma sátira interessante.

    Abraço!

    outubro 29, 2008 às 16:09

  2. Daniel Cunha

    Fala Wagner!

    Primeiramente, gostaria de agradecê-lo pelos elogios sobre a matéria. É bom saber que temos gente interessada acompanhando o blog e aproveitando o conteúdo.

    Quanto à imagem, entendi sua reivindicação e troquei a foto. Nossa intenção não é a de criar polêmica, mas sim a de passar informação e provocar a reflexão. Devido a um problema técnico, não consegui mexer na legenda da foto e colocar algo mais próximo do que queria passar com ela, uma analogia ao turntablism e seus praticantes/seguidores, como se fosse uma espécie de religião. De qualquer forma, agradeço o comentário e, sempre que discordar ou concordar conosco, o espaço está aberto.

    Abraço,
    Daniel Cunha / Per Raps

    outubro 30, 2008 às 02:48

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