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Kanye West no Brasil – Parte I

Kanye West no palco de sua super produção, "Glow in The Dark"

Kanye West no palco de sua super produção, "Glow in The Dark"*

Muita coisa foi dita na mídia sobre a passagem de Kanye West pelo Brasil. Infelizmente, na maioria dos veículos de imprensa ou não, a crítica foi pesada e negativa. Isso ocorreu principalmente em São Paulo. O interessante de se notar é que antes do show, muitos jornalistas e supostos especialistas em música, apontavam West como o “salvador” da música rap. Por quê? Pelas inovações, pelas referências, pela postura, pela turnê triunfante até então, ou seja, pelo “pacote” que era vendido pelo artista.

A dois dias antes da apresentação no TIM Festival, Kanye West pediu uma coletiva com os jornalistas brasileiros em um hotel em São Paulo, e fez uma primeira audição do novo trabalho ainda não lançado, o 808’s & Heartbreak. Ele foi simpático, quebrando o estigma de arrogante que trazia, e chegou até a pedir opiniões sobre as faixas, fazendo anotações sobre o que era dito. No entanto, como se fosse uma brisa que muda para ventania, todos se voltaram contra Kanye.

Após o show, as críticas foram ferrenhas e o apontavam indiretamente como um vendedor de ilusões. Todos esperavam uma estrutura ainda mais impressionante nesta passagem da turnê, até porque o responsável por essa montagem foi Jamie King, coreógrafo e diretor de palco que já trabalhou com artistas como Prince, Britney Spears, Shakira e Elton John.

Não bastaram labaredas, uma simulação de uma superfície de outro planeta, dois telões gigantes, uma plataforma (que subia, descia e inclinava), um dinossauro cheio de metáforas e gelo seco. Não, West teria que incorporar David Copperfield, e se preciso, deveria voar no palco para agradá-los.

A plataforma do palco se inclinava e ia para cima ou para baixo

A plataforma se inclinava, descia e subia de acordo com música*

Não foi uma apresentação convencional de rap, é verdade. Mas se fosse, certamente não teria chamado tanta atenção. Young Yeezy, um dos apelidos de West, subiu ao palco sozinho e apenas no fim do espetáculo contou à todos que havia uma banda e um Dj atrás daquela estrutura toda. Mas, tirando a estrutura do palco e a banda “escondida”, foi um show de rap.

Kanye rimava em cima de uma base, que ficou na responsabilidade do Dj Craze, tricampeão do maior campeonato de Dj’s do mundo, o DMC. Havia intervenção de instrumentos, fato que também é corriqueiro em diversos shows de artistas do rap. Infelizmente, por falta de informação, algumas pessoas associaram esse tipo de apresentação à utilização do recurso do playback, o que não é uma verdade.

Para quem não sabe, no playback, o artista se preocupa apenas com a performance e dubla a música, pois assim não corre o perigo de desafinar ou perder o fôlego. Grupos como o dos rockeiros do Block Party ou a diva pop, Britney Spears, costumam usar essa artimanha. Não é preciso frequentar shows de rap para saber que um recurso muito utilizado no estilo é ter um Dj que solta a base por meio de discos de vinil para que o MC transmita sua idéia, por meio da rima, ao vivo.

Foram mostradas músicas dos três álbuns do rapper (Late Regsitration, The College Dropout e Graduation), além do primeiro single do novo trabalho, 808’s & Heartbreak, intitulada “Love Lockdown“. A importância do artista para a música rap pode ser exemplificada com a presença de rappers brazucas, que foram prestigiar a apresentação. Racionais MC’s e Marcelo D2 estavam presentes, e estes podem ser considerados hoje dois grandes representantes do rap nacional, sem sombra de dúvidas.

West mudou o figurino apenas uma vez no show inteiro

West mudou o figurino apenas uma vez no show inteiro*

Há um texto na internet que fala da relação do jornalista e a música. Esse texto diz que geralmente eles (os jornalistas) descobrem bandas novas e a ovacionam. No entanto, quando ela se torna famosa, acaba sendo criticada pelo mesmo responsável por elogios anteriores. Nesse caso, não houve de fato uma “descoberta” da música ou do talento de West, mas o associaram a uma epifania musical. O artista é inovador, mas é tão humano quanto os próprios jornalistas.

Quem acompanha a carreira de Kanye West, mesmo que de longe, pode perceber que hoje o rumo dele segue para uma música mais “pop”. No próprio meio do rap, geralmente costumam ressaltar o lado “produtor” de West, mas não o lembram tanto por suas rimas ou seu trabalho em outros aspectos. Mas é unânime que ele é um artista comprometido com o seu trabalho.

Em entrevistas, é possível se notar a insegurança de Kanye, principalmente quando ele tenta trazer novidades ou deslocar seu rumo na música. Em uma conversa recente com uma rádio norte-americana, ele disse que um dia pretende ter hits como os de Michael Jackson, mas sabe que precisa ainda trabalhar muito. Críticas contraditórias ou sem fundamento, têm o poder de destruir a carreira de um artista. Muita gente acredita no que ouve, no que assiste ou no que lê. Portanto, não acredite em tudo!

* Fotos exclusivas por Carol Patrocínio.

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3 Respostas

  1. Felipe Romano

    Excelente texto do nosso querido Eduardo, infelizmente a mídia brasileira não sabe como tratar um grande talento quando se depara com o tal, alem de toda a categoria de Kanye no microfone, o show de luzes e efeitos especiais foi digno dos altos valores cobrados no ingresso. Quem estava lá sabe do que eu estou falando.
    Os rappers gringos que vem para o Brasil fazem shows com um estilo obrigatório como foi 50 cent e Snoop Dog. Kanye veio para mostrar tudo que ele pode fazer em cima do palco e tirar a arrogância que muitos pensam que ele têm.
    Dia 22 de outubro de 2008 entrou pra história dos grandes shows ocorridos no Brasil, sinto pena por aqueles que não conseguem enxergar isso.

    outubro 27, 2008 às 20:20

  2. gabriel

    Young Jeezy é outro cantor, ele se chama Jay Jenkins enquanto o Kanye se chama Kanye Omari West, os dois já fizeram algumas musicas juntos como I Put On e Amazing e obviamente não são a mesma pessoa como está escrito no artigo..

    maio 15, 2009 às 23:50

    • Gabriel,

      Na real essa parada de apelidos é uma grande brincadeira entre os parceiros rappers. E confundir é fácil, já que a similaridade é grande! Se liga: Jay Jenkings = Young Jeezy/ Young Weezy = Lil’ Wayne/ Kanye Omari West = Young Yeezy.

      O Kanye até brinca com a similaridade dos apelidos no som “The Glory”, do álbum Graduation. Acompanhe:”…The hood love to listen to jeezy and weezy and o yeah yeezy”, algo como ‘a quebrada adora ouvir o Jeezy e o Weezy, e ah sim, o Yeezy”.

      Definitivamente, eles não são a mesma pessoa!

      Abraço.

      maio 16, 2009 às 00:04

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