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Elo da Corrente – Após Algumas Estações (2007)

O CD de estréia do grupo paulista Elo da Corrente (formado por Caio, Pitzan e o Dj PG), “Após Algumas Estações”, foi lançado no final de 2007, mas terá sua resenha resgatada pelo Per Raps por dois motivos: primeiro, pela escassez de lançamentos de bons CD’s de rap alternativo no Brasil este ano; e o principal, pela sua qualidade e necessidade de ser melhor explorado.

O álbum foi lançado durante o festival Indie Hip Hop do ano passado, que teve como atração central o MC nova-iorquino Pharoahe Monch. Muitos já aguardavam ansiosamente o lançamento do CD e acompanhavam o trabalho do trio por meio de músicas avulsas encontradas na Internet ou lançadas em coletâneas de rap nacional nos últimos anos.

A atmosfera geral do disco, porém, pouco tem a ver com as faixas lançadas anteriormente, como ‘Alguns Pensamentos’, da coletânea Direto do Laboratório (que chegou até a tocar na 105 fm) e ‘Enquanto você dorme’, da Boomshot Volume Único. Essa última, por exemplo, apresenta um beat rápido e levadas agressivas dos dois MC’s, o que praticamente não ocorre no primeiro álbum do Elo da Corrente.

Após Algumas Estações – mais precisamente “sete voltas em torno do sol”, como diz Pitzan na faixa Estações – marca o amadurecimento de um grupo que provou possuir dois dos melhores letristas da cena na atualidade.

Caio e Pitzan tratam suas músicas de maneira refinada e original, dando sentido ao significado literal do Rap (Rhythm and Poetry). Este álbum revelou a poesia como marca maior do grupo, que já contou ser fã de Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes.

O apurado gosto musical do trio transforma o Elo da Corrente em um capítulo à parte no rap nacional. Com totais influências da música brasileira, de maestros a compositores, os integrantes do grupo assinam a produção de quase todas as 21 faixas do álbum.

A grande maioria das músicas foge bastante do ‘tradicional’ utilizado no rap brasileiro e não foram feitas pra tocar em festas, mas sim para serem apreciadas com bastante atenção, de preferência na seqüência cronológica do disco.

A primeira faixa, Pei!, é a mais pesada de todo o disco. Com uma bateria suja, Caio e Pitzan introduzem a nova fase do grupo, em que as letras têm os sentimentos como fio condutor. Sementes de luz, a música seguinte, é a melhor do CD. Com um sample de piano empolgante, muito bem escolhido por Caio, e ótimas rimas disparadas por ambos.

“Eu penso com os ouvidos e ouço com o coração, faço sangrias do peito pra extrair a canção”, rima Pitzan, comprovando seu talento lírico. Outro destaque fica para Aqui dentro (pt. 2) – rimas introspectivas dos MCs com belo instrumental marcado por um contrabaixo e scratches precisos do Dj PG.

Nas duas únicas participações do disco, Munhoz e Lumbriga fazem bonito nos beats. Elo da Corrente, música homônima do grupo, foi produzida por Munhoz; tem um sample com cordas bem ritmadas e uma linda melodia de flauta no refrão.

A letra, como era de se esperar, é uma apresentação: “Elo da Corrente, Caio, PG e Pitzan, a mente no amanhã, os pés no presente”. A faixa de Lumbriga, chamada Estações, traz a sensação de nostalgia, exatamente o tema da letra, onde Caio e Pitzan se lembram do início do coletivo Rhima Rhara.

Após Algumas Estações é um disco especial e foi feito para ser ouvido sem pressa, com calma e atenção. Para o efeito desejado, siga as orientações da bula.

Elo da Corrente – Sementes de Luz (Após Algumas Estações)
http://raps.podomatic.com/enclosure/2008-11-17T17_06_05-08_00.mp3″

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4 Respostas

  1. Tá cada vez melhor o blog, meninos!
    Parabéns! Os textos bons, assuntos interessantes, da hora.
    Só falta colocar créditos nos textos pra saber quem escreveu o quê, porque ainda não está aparecendo. E clicar no nominho de vocês ali para saber sempre acho que dispersa.
    Só esse o toque, de resto, é nóis, demorou!
    Beijos!

    setembro 18, 2008 às 14:36

  2. Débora,

    Valeu pelo comentário e pelo apoio. Em relação a sua sugestão, agradecemos. No entanto, a idéia do blog é buscar uma unidade.

    Quem visitar, vai encontrar posts do Per Raps e não do Eduardo Ribas ou do Daniel Cunha. Assim, o indivíduo passa a ser um coletivo por meio da cultura hip hop .

    Paz.

    setembro 18, 2008 às 16:46

  3. Fala Daniel, muito boa a resenha!

    Elo da Corrente, pra mim, é o melhor grupo brasileiro atualmente. Eles têm uma veia poética única, um capricho nas letras de encher os olhos. “O Amanhecer”, que foi lançada antes deste álbum, é uma das minhas músicas preferidas em todo o rap nacional.

    Parabéns pela resenha, a do Kamau também ficou ótima. E força nesse mundo dos blogs, qualquer coisa tamo ae! Abraço!

    setembro 19, 2008 às 01:24

  4. Underlock

    Alguns pensamentos se foram com alguns verões. Direto do laboratório para rap’s de verão, passando pelo sabor hip-hop e outras paradas.
    Dos tempos dos picos do centro da cidade aos shows do SESC…filmando, cantando e esperando passar algumas estações pra ter o disco, ouvi-lo, curtir o encarte e toda aquela história de quem conhece…

    Acompanhando a evolução.

    Isso tudo numa nota explicativa de um blog bem “escrito” por quem conhece.

    Certo, Per Raps?

    Parabéns pelo trampo rapa…

    setembro 19, 2008 às 03:29

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