Julho 7, 2009

Thig Smith fala sobre carreira solo – Parte II

Na segunda parte da entrevista concedida ao Per Raps, Thig Smith falou sobre preconceito e sugere uma mudança de mentalidade para que o rap seja tratado como música, acima de tudo.
Confira:

Preconceito

Geralmente as pessoas quando olham pro rap já vem com aquele pé atrás, pensam que a gente é bravo. Mas quando a gente começa a trocar idéia isso aí já não existe mais, eles vêem que a gente é que nem eles. O rap ainda é um movimento muito desvalorizado. Tem gente que fala pra mim que artista de rap não ganha dinheiro porque a gente vive num país de terceiro mundo, mas aí eu pergunto: e o sertanejo, vive aonde? E o samba? E o pessoal do rock, e o funk, em que país que eles vivem? Então não é assim.

Eu vejo que o rap não aparece. A gente não ganha dinheiro com isso porque o nosso trabalho não é divulgado, e as pessoas não querem pagar por alguma coisa que elas não conhecem. O rap tem que chegar, é uma música que tem que chegar chegando em todos os meios de comunicação, mas a gente tem que saber entrar e sair, saber se postar. Se você está cantando na TV, você está falando pra população, então não pode sair falando palavrão, aloprar. Tem gente que acha que isso é se vender, mas não é, é saber se postar.

Acho que o preconceito foi o grande responsável para o rap não estar no lugar que deveria estar. O preconceito de fora pra dentro, que existe muito, mas o de dentro pra fora, que é pior ainda, na minha opinião. Porque, por exemplo, o rap surgiu como uma música marginalizada e era discriminado. Chegou em 98, 99, aí a mídia e a sociedade começaram a abrir espaço e respeitar o rap. Era a hora de invadir tudo, mas muita gente não quis. Eu respeito essa postura, mas não acho certo todo mundo querer ir pelo mesmo caminho. Hoje os caras estão se ligando que esse caminho não adiantou nada.

O caminho hoje é fazer música boa, música agradável. Se você falar pra mãe da sua namorada que canta rap, ela já imagina que vai vir aquele cara de boné, calça larga, aquelas gírias, aquele jeito de ser, revoltadão, então o rap tem um padrão de estética horrível. Mas o rap não é só isso, tem várias outras vertentes, vários caras pensantes, vários caras estudados. O caminho que eu vejo hoje é fazer música boa e ter visão. Eu vejo muito cara bom de rima, mas sem visão. A visão que os americanos tiveram em 90, de fazer o dinheiro girar.

"Tem mano que ainda acha que está em Compton, só que na época do The Game" (Thig)

"Tem mano que ainda acha que está em Compton, só que na época do The Game" (Thig)

Nos meus novos trabalhos, eu vou falar pra todo mundo. Imagina um jovem da periferia, negro, fazendo um rap pra todo mundo: mulher, homem, pros caras do rap…eu quero colocar bastante da minha personalidade. Eu acho que falta muita malandragem no rap, aquela malandragem que o samba antigo tinha. Antigamente o samba também era muito discriminado, mas conseguiu descer o morro porque bateu de frente, se assumiu como música. Fizeram as pessoas enxergarem aquilo como música.

Eu quero fazer com que o rap cresça aqui, eu sinto que eu fui jogado com essa missão no rap. Qual é o momento que o cara quer ouvir um rap? Numa festa, não é? Mas na festa ninguém quer ouvir sofrimento. O cara trabalha de segunda a sexta, aí na sexta-feira à noite o cara vai pro baile, ele não quer ouvir as minhas depressões. Não que não tenha que ser falado desses assuntos, mas esse não é o tipo de música que as pessoas estão procurando.

Eu fico triste pela decadência do rap, pelas idéias fracas que o rap aderiu, o preconceito. O rap tem preconceito com o mano – e eu fiz parte disso também, se eu disser o contrário eu vou estar mentindo – que coloca uma camiseta apertada e se diz modelo. O cara é modelo ué, ele trabalha de modelo. O rap tem preconceito com o mano que é cantor, faz backing vocal de R&B, pro rap ele é viado. O rap tinha preconceito com uns caras que faziam um som mais misturado com um ragga, chamava eles de ‘lagartixa’. Tudo errado. Tudo errado…

O poder da música

Eu não vi os caras percebendo que poderiam fazer um som com a Luciana Melo. Ela ta aí, ela faz rap, irmão. Tem caras que estão aí, que são os considerados ‘grandes’ do rap, que não eram pra ter na música deles uns caras que cantam mal. Tem vários caras que fazem backing vocal na periferia e são ruins, e era pra esses rappers fazerem músicas com esses grandes artistas que estão aí e cantam bem. Não é porque é um grande artista, é porque canta bem, eu to falando de música. Eles não estão fazendo isso, eles tão de chapéu.

Hoje, do que eu escuto, gosto do Pentágono, DBS e a Quadrilha, Função RHK, dos moleques da zona leste, Magnus 44, Klasse Korreria, gosto do Rincon Sapiência, acho que o moleque tem tudo pra estourar, a mente dele ta a milhão, ele evoluiu. Gosto do Da Bandit, do Sombra. Gosto desses caras todos que são muito bons, mas de repente não são os caras que estão tendo espaço porque não tem uma rádio que toca. Se tivesse uma, uma só, resolvia. Esses são alguns dos caras que tão no tempo, que fazem música pra todo mundo.

Eu sou um cara que escuta música pelo que eu gosto. Eu gosto do Pepeu Gomes, que é o marido da Baby Consuelo. Eu não quero saber se o maluco é playboy, eu quero saber da música do cara, a música é da hora. Eu ouço, ponho de madrugada no carro voltando dos rolês, é da hora. E mudar a mente dos moleques do rap é difícil, tem que trabalhar muito ainda. Mas eu quero mudar isso daí, eu me sinto um cara pra mudar isso aí. Porque eu queria ver um cara que veio do nada. Na hora que os caras verem minha realidade, o lugar onde eu moro…eu quero que se identifiquem comigo que nem eu me identifico com o Sabotage, por exemplo.

Eu acho que o rap nesse tempo todo teve três erros cruciais: músicas lentas, letras ruins e a aversão à grande mídia. Não adianta mano, as empresas só vão patrocinar o Ronaldo se ele fizer gol, se ele aparecer no jogo do Corinthians. A coisa precisa andar, o rap precisa aparecer. O rap não toca na periferia por quê? Porque os moleques não têm acesso aos raps que são bons também. Eles só ouvem na rádio o cara reclamando da vida. Se você chegar na minha vila hoje e mostrar esse tipo de som pra um cara lá, o cara vai ouvir e falar: ‘Puta negócio mentiroso!’ Ta todo mundo na periferia lutando atrás de alguma coisa, seja no crime, na música, no futebol, em um emprego convencional, em alguma coisa, ta todo mundo lutando. Essa história que o rap implantou que ta todo mundo parado, sofrendo, chorando, isso é mentira. É mentira. Ta todo mundo batendo de frente.

Perdeu a primeira parte da entrevista? Então clique aqui e confira.

Julho 3, 2009

RIP, MJ – Originais e Samples

Time Cover

Rest in peace, Michael Jackson: 1958-2009por Eduardo Ribas

Michael Jackson, “I Cant help it” (1979)

O Per Raps não poderia deixar de homenagear um grande mestre da música mundial, que deixou esse plano recentemente: Michael Jackson. Falar de MJ é lembrar de músicas que embalaram momentos divertidos, clipes impressionantes e inúmeros samples de qualidade.

O número de homenagens que Michael Jackson recebeu pelo mundo só traduz o quanto ele influênciou pessoas. Desde seus tempos de Jackson 5, na Motown, até o último trabalho, Invincible (2001) – passando por um dos álbuns mais bem sucedidos da música mundial, Thriller (1982) – MJ conquistou seu lugar na história por seu talento.

Além de influenciar pela música, também motivou pela atitude, jeito de vestir e os passos de dança de artistas como Usher, Ne-Yo, Chris Brown, Justin Timberlake e tantos outros.

Apesar de Michael Jackson ter muita história a ser contada, a singela homenagem ao “Rei do Pop” por aqui será musical. Ouça abaixo alguns sons originais e os samples utilizados por Public Enemy, Nas, Kanye West e outros.

*R.I.P, MJ!

Original: Michael Jackson, “Human Nature” (1982)

Original: Michael Jackson, “Thriller” (1982)

Original: Michael Jackson, “Wanna Be Startin’ Somethin” (1982)

Já ouviu “Goog Life”, de Kanye West? Sabe de onde ele tirou seu sample?

Kanye West feat T-Pain, “Good Life” (2007)

Se não, então confira o original:

Michael Jackson, “P.Y.T. (Pretty Young Thing)” (1982)

Lembra daquele som lá no começo do post, “I Cant help it”, de 1979? Sabe quem usou um sample de MJ para rimar?

De la Soul, “Breakadown” (1993)

**Antes de conhecer nomes de artistas que tiveram suas músicas influenciadas por MJ, fica a recomendação do Programa Freestyle Especial Michael Jackson. Vale a pena!

Agora, acompanhe a lista de alguns dos sons e artistas que samplearam o Rei do Pop:

Got to Be There (1971) sampledado por Havoc em Be There (2007)
Maria (You Were the Only One) (1971) sampledado por Fat Joe em Bendicion Mami (2006)
Ain’t No Sunshine (1972) sampledado por Ghostface Killah feat. Sun God em Street Opera (2006)
I Wanna Be Where You Are (1972) sampledado por Grand Puba em I Like It (I Wanna Be Where You Are) (1995)
I Wanna Be Where You Are (1972) sampledado por MURS em Can It Be (2008)
Shoo Be Doo Be Doo Da Day (1972) sampledado por Scanty Sandwich em Because of You (2000)
We’ve Got a Good Thing Going (1972) sampledado por Cassidy em Around tha World (2004)
With a Child’s Heart (1973) sampledado por Big Punisher em You Ain’t a Killer (1997)
With a Child’s Heart (1973) sampledado por Little Brother em Watch Me (2005)
With a Child’s Heart (1973) sampledado por Cyssero feat. The Game em Fire in Ya Eyes (2007)
We’re Almost There (1975) sampledado por Jadakiss feat. Styles P em One More Step (2009)
Don’t Stop ‘Til You Get Enough (1979) sampledado por Mase feat. Jay-Z, 112 and Lil’ Cease em Cheat on You (1997)
Don’t Stop ‘Til You Get Enough (1979) sampledado por Baby Bumps em I Got This Feeling (1999)
I Can’t Help It (1979) sampledado por Portrait em Here We Go Again! (1992)
I Can’t Help It (1979) sampledado por Shanice em It’s for You (1993)
I Can’t Help It (1979) sampledado por Fabolous feat. Mike Shorey em Baby (2004)
I Can’t Help It (1979) sampledado por Ryan Leslie feat. Cassie and Fabolous em Addiction (2009)
Off the Wall (1979) sampledado por Soul Avengerz em Enjoy Yourself (2004)
Billie Jean (1982) sampledado por Lydia Murdock em Superstar (1983)
Billie Jean (1982) sampledado por Club House em Do It Again – Billie Jean (Medley) (1983)
Billie Jean (1982) sampledado por Jeru the Damaja em Mental Stamina (1994)
Human Nature (1982) sampledado por SWV em Right Here (Human Nature Remix) (1992)
The Girl is Mine (1982) sampledado por Ashanti em Good Good (2008)
The Lady in My Life (1982) sampledado por LL Cool J feat. Boyz II Men em Hey Lover (1995)
The Lady in My Life (1982) sampledado por Trae feat. Big Hawk em Swang (2006)
Thriller (1982) sampledado por N.W.A em 100 Miles e Runnin’ (1990)
Thriller (1982) sampledado por The Prodigy em The Way It is (2004)
Thriller (1982) sampledado por Herve em Cheap Thrills (2007)
Wanna Be Startin’ Somethin’ (1982) sampledado por Lord Tariq & Peter Gunz feat. Chauncey Black em Startin’ Somethin (1998)
Say Say Say (1983) sampled by Hi_Tack on Say Say Say (Waiting 4 U) (2005)
Somebody’s Watching Me (1984) sampled by Fonky Family on Art De Rue (2001)
Liberian Girl (1987) sampled by MC Lyte feat. Xscape on Keep On, Keepin’ On (1996)
Liberian Girl (1987) sampled by 2Pac on Letter 2 My Unborn (2001)
Heaven Can Wait (2001) sampled by Ludacris feat. T-Pain on One More Drink (2008)

Julho 1, 2009

‘Não canso de ouvir’ – Tiago Rump

Tiago Rump escolhe seus 10 discos preferidos (Divulgação)

Tiago Rump escolhe seus 10 discos preferidos (por Miechan)

O convidado da vez é o MC e beatmaker, Tiago “Rump” Frúgoli. O desafio de escolher os 10 discos mais importantes para ele, não pareceu ter sido um grande desafio. Isso, pois não foi difícil obter as respostas de Rump.

Na sua seleção, os clássicos do hip hop dividem espaço com novidades como o duo Briana Cartwright aka Jack Davey e o produtor Brook D’Leau, que formam o J*Davey. Acompanhe agora o top 10 e as opiniões sobre cada escolha de Rump. Enjoy!

Nas – Illmatic:

Melhor disco que mistura crônica de rua com inteligência extrema. A fórmula foi muito usada no começo dos anos 90, mas nada se compara.

A Tribe Called Quest – Midnight Marauders:

Meu disco preferido da Tribe. O Phife já não estava mais em segundo plano em relação ao Q-Tip. A química funciona muito bem, e os beats são uma aula de produção.

Slum Village

Slum Village – Fan-Tas-Tic Vol.1:

Foi lançado em fita cassete em 97, só saiu oficialmente em 2005. Além do J Dilla já demonstrar lá que era um gênio dos beats, gosto muito do clima descontraido do disco. Muitas vezes, gosto mais da demo gravada na casa do artista do que do disco oficial posterior, gravado num estúdio profissional. É incalculável o impacto dessa fita nos discos posteriores, produzidos pelo Soulquarians.

J Dilla – Donuts:

O final oficial do meu capítulo preferido da história do hip hop. Impressionante ter tanto sentimento um disco sem rimas, criado a partir de samples. Mudou o jeito que eu olho para a produção de hip hop.

Mos Def & Talib Kweli – Black Star:

Pelas minhas escolhas, dá pra ver que tenho uma tendência a gostar do primeiro disco de um artista, ou até da primeira demo. Esse é o meu preferido de dois dos melhores MC’s hoje. “Respiration” tem o melhor refrão de todos os tempos.

MosDef&TalibKweliBlackStar

Common – Electric Circus:

O Soulquarians é meu coletivo de produção preferido. Eles comandam a maior parte das músicas aqui. Esse disco foi o que menos vendeu do Common, talvez por isso tenha feito ele mudar seu rumo no discos posteriores. Ainda assim, acho que esse disco inaugura o que chamo de “post hip hop”. Todos discos abaixo se encaixam na mesma categoria.

Georgia Anne Muldrow – Wothnothings EP:

Um pouco de Dilla, Milton Nascimento, Nina Simone e Free Jazz no corpo de uma garota de 20 anos. Todos instrumentos gravados por ela, até onde eu sei, na sua própria casa.

Erykah Badu – New Amerykah:

Minha cantora favorita, rodeada de muitos dos meus produtores favoritos (Madlib, 9th Wonder, Questlove, James Poyser, Sa-Ra Creative Partners, Georgia Anne, Karriem Riggins…).

J*Davey – The Beauty in Distortion:

Primeiro EP desse duo, que está para lançar um álbum pela Warner. Me lembra muito o Dilla, misturado com o melhor dos anos 80.

Suzi Analogue – World Excerpts 1-9:

Não é nem um disco oficial, está disponivel para download no http://www.freshselects.net/suzianalogue . A produtora/cantora de 20 e poucos anos da Philadelphia me impressionou muito. Destaque para a faixa “Sage Burns”.

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Festas
luv rj julho

MJJ in Luv @ Lounge 69
Com os Dj’s Pachú e Pathy DeJesus.
Convidado: Rabú Gonzales.
Produção de Nicole Nandes e Anwonri Sauthon

Endereço: Rua Farme de Amoedo, 50 – Ipanema – Rio de Janeiro/RJ
Horário: 23h/ Preço: R$ 40 (R$ 20 na lista amiga)
Info: (21) 2522-0627
http://luvbaileblack.blogspot.com

flyer virtualMão de Oito @ Studio SP
DJ residente: Valter Nú
Participações de Marcela Bellas, Kamau e Emicida
Data: 2 de Julho – quinta feira

Studio SP – Rua Augusta, 591
Abertura da casa: 23h
Horário: 0h
Preços: R$ 15,00 (com nome na lista e até 1h do dia 3/7) e R$ 25,00
Lista: studiosp@studiosp.org

fyabum

Pentágono apresenta Dj Kl Jay @ Fyabun
DJs: Kiko, Preto e M. Lion
Data: 3 de julho – sexta-feira
Endereço: Rua Valentim Ramos Delano, 52
Preços: R$ 8 (com nome na lista) e R$ 10
Lista: listafyabun@gmail.com

Junho 29, 2009

Grafite Woman

Grafite Womanpor Nathalia Leme

Você provavelmente já deve ter lido aqui no Per Raps algo sobre a ascensão do grafite nos muros por aí na sua cidade. Como já comentamos também, aqui em São Paulo, apesar da Lei Cidade Limpa, do prefeito Gilberto Kassab, o grafite está em alta.

Mas existe uma coisa que talvez você não saiba ou nunca tenha percebido: uma parcela considerável da arte urbana é feita por garotas.
Sim. Garotas!

Conversamos com algumas grafiteiras do Brasil e de fora dele para descobrir o que leva meninas a estamparem os muros das grandes cidades. “Comecei na minha cidade, Porto Alegre, por influência de uns amigos. Pintava muito pouco, gostava mais de me dedicar a dança, achava muito legal b.boys e b.girls. Mas a dança é uma atitude que exige muito do corpo, da mente e do emocional. Quando comecei, eu estava passando por uns momentos difíceis, aí me dediquei mais ao desenho ajudando uma amiga a desenvolver umas estampas pra uma marca. Vi que, no fim, era a terapia que eu estava precisando no momento”, conta Crix, que pinta há 6 anos.

Crix em ação, por Day Medeiros

Crix em ação, por Day Medeiros

Assim como a Crix, muitas das meninas seduzidas pelo látex ou spray começaram por influência de amigos. Por parte das iniciantes, rola sempre uma dúvida de como será o relacionamento com os grafiteiros – os homens que dominam, em maior porcentagem, muros. “A convivência é pacífica. Até agora não sofri nenhum tipo de preconceito vindo de outros grafiteiros, até porque muitos amigos meus são, e eu já era amiga deles antes de pintar. O fato de ser mulher pode pender para dois lados: ou você é muito respeitada por ser mulher e fazer o que faz, pela atitude e tudo mais. Ou você é discriminada pelos mesmos motivos”, explica Mandy, que começou a pintar há um ano e meio.

E a família, o que acha de tudo isso? “No começo minha mãe estranhava o fato de eu ter um monte de tintas e cacarecos que juntava da rua no meu quarto, mas com o tempo ela foi conhecendo meu trabalho e hoje ela até admira. Já que tinha também meu irmão que pintava, então ela não teve muita escolha (risos). E o restante acha interessante ter alguém na família que gosta e faz arte”, diz Luciane, atuando desde 2000.

A história do grafite feminino cresceu e rendeu um livro, idealizado por Nicholas Ganz, que conta a trajetória dessa arte pelos cinco continentes do mundo. O livro, batizado de Graffiti Woman, traz imagens de grafites feitos por 125 mulheres selecionadas em todo o mundo e ajudou até a desenvolver exposições coletivas e individuais no Brasil e em países como Cuba e Estado Unidos.

Capa do livro de Nicholas Ganz

Capa do livro de Nicholas Ganz

Às meninas que estão começando, uma dica da argentina Zumi, que pinta há pouco mais de dois anos e esteve em visita recente ao Brasil: “O que posso te falar? Se você já experimentou e sabe o bem que é estar lá fora com tinta nas mãos, continue! E para quem não sabe: comece! Não demora, não! Você vai encontrar teu caminho. Vai com a mão aberta e respeito, muito respeito, parceiros aparecerão com certeza. Sorte y sempre… Que flua!”

E para quem se interessa, existem oficinas de graffite espalhadas por toda cidade. No SESC Santana, Z/N de Sampa, os artistas do coletivo Estudio Diálogo ajudarão os participantes a desenvolver um painel nos muros internos da unidade.

A estudante argentina Zumi em SP, por Day Medeiros

A estudante argentina Zumi em SP, por Day Medeiros

Interessou? Se liga só:
Atelier SESC Santana
Av. Luís Domund Villares, 579.
Graffite: Palavras ao Muro.
SESC Santana
22/07 a 31/07
Quartas, quintas e sextas, das 15h às 18h

Junho 26, 2009

Sombra no CCSP e Emicida na Hole Club

Sombra grava DVD no CCSP e Emicida traz a Hole abaixo com sua mixtapepor Daniel Cunha e Nathalia Leme

Em um verdadeiro espetáculo, algo ainda pouco valorizado pelos rappers daqui, o MC Sombra gravou, na última sexta-feira (19), no Centro Cultural São Paulo, o seu primeiro DVD solo, intitulado Psycho Hip Hop Circense, em uma provável alusão ao nome de um dos álbuns da banda norte-americana Kiss. Assim como em uma apresentação de uma trupe circense, o ex-integrante do SNJ cantou, dançou e representou, e ainda usou e abusou das piadas, figurinos e coreografias, tudo isso em um clima de total descontração, comandado pelo próprio MC.

Acompanhado em parte do show pela banda Projeto Nave, que deu uma bela encorpada nas bases do MC, Sombra cantou músicas do seu disco solo “Sem Sombra de Dúvida”, lançado no ano passado, alguns sons inéditos e alguns clássicos do SNJ, grupo pelo qual obteve destaque no final dos anos 90. O ápice do show, inclusive, foi quando Cris, também ex-integrante do grupo, surgiu do fundo do palco para cantar sua parte em “Se tu lutas, tu conquistas”, uma das ‘obrigatórias’ do rap nacional.

Abaixo, algumas imagens do dia da gravação do DVD do Sombra, feitas por Janaína Castelo Branco.

por Janaína Castelo Branco

por Janaína Castelo Branco

por Janaína Castelo Branco

por Janaína Castelo Branco

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por Janaína Castelo Branco

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Sábado (20) foi a vez de o Hole Club receber um verdadeiro espetáculo. Dessa vez, o palco da casa foi invadido pela tradicional Rinha dos MCs, onde além da batalha calorosa, rolou o tão esperado lançamento da mixtape “Pra que já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe”, do rapper E.M.I.C.I.D.A.

A boa música lotou pista da casa numa apresentação, no mínimo, inesquecível. “Hey rap!” abriu o show fazendo explodir o coro de quem esperou 2 meses para cantar junto os sons da mix mais comentada, vendida e badalada de 2009. O show – dedicado ao Dj Primo, que completaria 29 anos na mesma data – foi emocionantemente cantado em último timbre verso por verso. Além de “Essa é pra você, Primo”, um parabéns foi cantado em uníssono por todos que estavam na casa.
 
O público compareceu em peso e lembrou os velhos tempos de festas lotadas e “participativas” na Hole Club. Para muitos, essa foi A festa, um verdadeiro show de rap. Uma apresentação com vibe de renovação, que deixa a impressão de que coisa boa ainda está por vir. Acompanhe abaixo algumas imagens do show, também feitas por Janaína Castelo Branco.

por Janaína Castelo Branco

por Janaína Castelo Branco

por Janaína Castelo Branco

por Janaína Castelo Branco

por Janaína Castelo Branco

por Janaína Castelo Branco

Mais imagens:
http://www.flickr.com/photos/janainacastelo
http://www.flickr.com/photos/vodkadoce

Mais informações:
“Emicida e a Magia do Rap no Hole Club” no Rapevolusom
“Fim de semana frio com noites quentes em São Paulo”, no blog do Programa Freestyle.
“Sombra no Centro Cultural de São Paulo”, no Central Hip Hop.
Emicida (02) – Hole Club (2006-2009) no Groove Livre.

O que você achou do fato do Sombra gravar um DVD? E a vibe do show do Emicida? Comente!

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Michael Jackson, rest in peace!

Junho 25, 2009

Go Skateboarding Day

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Go Skateboarding Day - por Nathalia Leme

Há quem diga que junho é o mês dos namorados. Eu discordo e dou um título muito mais significativo a ele: junho é o mês do Skate!

Para quem não sabe, no dia 21 de junho é comemorado o Go Skateboarding Day ou, o tão sagrado, Dia Internacional do Skate, se preferirem. A data, criada em 2004 pela Associação Internacional das Companhias de Skate, sugere largar todas as obrigações para passar o dia andando de skate e se divertindo, levantando também a consciência contra a discriminação e a marginalização que é criada em torno de um skatista. É um dia para todos se reunirem junto aos amigos e resgatarem a verdadeira essência da cultura do universo do skate: a diversão.

A data é levada muito a sério, inclusive em lugares que você nem imagina: que tal Cabul, a capital do Afeganistão? Não. Você não leu errado! Tudo começou quando um australiano chamado Oliver Percovich foi morar na terra dos talibãs junto com sua namorada há uns anos. O namoro acabou, a mina caiu fora e o cara, super endividado resolveu dar um role de skate para esfriar a cabeça.

skate_ afeganistao

Se o skate por si só, em qualquer outro lugar, já chama atenção, imagina no Afeganistão?  De tanto observar a platéia que se formava nos seus rolês de skate, Oliver decidiu que o carrinho seria a solução dos seus problemas. Decidiu fundar a  “Skateistan Afghan Skate School” – ou “Skatistão, a escolinha de skate do Afeganistão” em bom português.

E no domingo passado, dia 21 de junho, dezenas de crianças de todas as classes sociais, meninos e meninas se juntaram e sairam com seus skates pelas ruas de Cabul, para celebrar o Go Skateboarding Day. O evento foi organizado pela Skateistan, a primeira escola de skate do Afeganistão.

Então tá. Você quer outro lugar inusitado onde o Dia Mundial do Skate foi comemorado? O que acha da Casa Branca? Barack Obama convidou o skatista Tony Hawk para umas remadinhas nos arredores da Casa. Tony Hawk, famoso por suas revoluções no skate e por ter levado a atividade (ou esporte, chame como achar melhor) a outro patamar descobriu ter um grande fã: o atual presidente dos EUA que se mostrou bem animado com a visita e, inclusive, liberou pessoalmente o skatista de embalar pelos corredores da Casa Branca.

O presidente comentou também em seu diário que gostaria de aprender a pular escadas de ollie e mandar uns backsides pop shove-its. Quem sabe em breve não teremos mais um skatista na categoria master? We hope so!

hawk_casa_branca

E por aqui, eu que te  pergunto: qual o lugar mais inusitado que você já andou de skate?

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Festas

MameloQuinta

Mamelo Sound System @ Espaço Rio Verde
Quinta (hoje), 25 de junho de 2009 às 22 horas
Preço: R$10

Espaço Rio Verde
Rua Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena – São Paulo, SP
Tel: 3459-5321

show Rump
Tiago Rump @ Expo Real Vida Suja
Sexta, 26/06 19:00 às 23h
Participações de Lurdez da Luz & Rodrigo Brandão/ Ogi e Primeira Audição

Espaço A
R. Purpurina, 207 – Vila Madalena, SP/São Paulo
Preço: Grátis!

Dj Nyack e Emicida serão a atração da Peligro, na Neu

Nesta sexta, a rua é Neu! - Dj Nyack e Emicida

Emicida @ Festa Peligro na Neu Club
Sexta, 26 de junho de 2009 às 23:00
Discotecagem: Dago Donato
Preço: R$15 (R$10 até 0h)

Neu Club
Rua Dona Germaine Burchard, 421 – Água Branca – São Paulo, SP
(próximo ao metrô Barra Funda)
www.peligro.com.br

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Casa di Caboclo @ Espaço +Soma
27 de junho/ Abertura da casa às 19h
Shows pontualmente às 21h
Preço: R$ 10,00

Espaço +Soma
Rua Fidalga 98 – Vila Madalena – São Paulo – SP
Informações: 11 3034.0515

Junho 23, 2009

Conheça mais sobre o Grime

O Per Raps recrutou mais uma vez a colaboradora carioca *Ciss para nos falar um pouco sobre o ritmo que bomba as pistas britânicas; o grime. Acompanhe uma entrevista exclusiva com o MC JME e acompanhe também uma conversa sobre o lançamento do single “Too Many Man”, do grupo Boy Better Know.  Curte ae!

“Um pouco sobre o grime” – por Cissa Maia aka *Ciss

Parte da cultura urbana, essencialmente do gueto de Londres, o grime é a versão britânica do hip hop. Os pioneiros do estilo – Wiley e Dizee Rascal – debutaram suas vozes e batidas futuristas no clima de batalhas realizadas em garagens no Leste de Londres. Diferente do rap tradicional, não tardou para que a Rinse FM, rádio pirata divulgadora da cultura urbana, adotasse o grime. Aliás, por estar dentro de um contexto distinto, logo a mídia causou alguns embates negativos, em relação ao ambiente sócio-cultural do qual o genêro emergiu. Mas o que poderia parecer crucial, funcionou como fuga ao tópico da marginalização e solidificou-se como um cenário independente.

Sem uma fórmula mágica, o som é instrumental, construído a partir da base do UK Garage, combinando elementos eletrônicos com linhas de grave guturais do Dubstep; o ritmo digitalizado é caracterizado pelo quebradiço 2-step do breakbeat. Traz levadas irregulares, permeadas por letras agressivas, metafóricas, divertidas, às vezes confusas e improvisadas pelos MC’s.

A popularidade do grime chamou atenção da rádio digital britânica BBC 1xtra, especializada em música urbana – bassline, dubstep, bashment, soca, dancehall e hip hop. Mesmo causando controvérsia pelo uso de dialetos e gírias pesadas, a audiência do show Sunday Night, do apresentador Tim Westwood, confirma o sucesso dos artistas e da cena grime.

JME é um dos mais fluentes e habilidosos MC’s do grime (Divulgação)

JME é um dos mais fluentes e habilidosos MC’s do grime (Divulgação)

Os dois lados de Jamie Adenuga

Jamie Adenuga aka JME é um dos mais fluentes e habilidosos MC’s do grime. Com entusiasmo visceral, campeão de bmx, mais de quatro milhões de acessos no MySpace, vídeos sarcásticos no Youtube se apresenta ao lado do seu irmão Skepta, que demonstra empenho nos negócios, afinal ambos são os idealizadores do coletivo e selo independente Boy Better Know.

Apesar do single de sucesso Serious, do álbum de estréia Famous, JME possui 4 mixtapes lançadas – Shh Hut Yuh Muh, Poomplex, Derkhead e Tropical – somada a várias produções em parceria com outros artistas, incluindo os membros do BBK. O coletivo é um dos mais lucrativos selos independentes da cena, isto se deve a venda de camisetas com a estampa “Boy Better Know”. Célebres entre os fãs, preocupado com a falsificação, imediatamente as camisetas passaram a ser vendidas na internet, agora liberadas em lojas nacionais e, segundo JME, a intenção é importá-las para outros países.

É com competência, que JME fortalece seu empreseriado, demonstrando que o talento vai além do microfone. Confira a entrevista exclusiva e o lançamento do novo single “Too Many Man”, do Boy Better Know.

Per Raps: O sucesso do grime tem muito a ver com a cena de rádios piratas e as batalhas de rap em garagens de Londres, nas quais os MC’s duelam para praticar suas habilidades e ganhar reputação no meio underground. Você acha que esse é o novo jeito de fazer hip hop no Reino Unido?

JME: Gostando ou não, o grime é uma versão do hip hop no Reino Unido. As pessoas não admitem isto, porque querem parecer totalmente originais e únicas. Mas para ser honesto, todos sabemos que são letras em cima de batidas, só que com o sotaque e atitude do Reino Unido. Ao invés de focar nas semelhanças, eu foco nas diferenças e as enfatizo para tornar minha música única e destacá-la dos outros atos do grime. Para entender totalmente a cena do grime, bem como a cultura do grime, é preciso morar aqui por um ou dois anos. É muita coisa para explicar em  poucas palavras, como em qualquer outra cultura musical.

Per Raps: Qual é a sua opinião sobre o grime ser associado com armas e violência?

JME: O cenário do grime é a música de rua do Reino Unido, portanto isto será, invevitavelmente, associado ao crime de rua. E é muito fácil para o governo e a mídia apontar o dedo, pois as duas estão ligadas entre si. Porém, minha opinião é a seguinte: nós somos músicos, não somos marginais. Alguns de nós já adotaram atitudes criminosas, assim como muitos parlamentares e jornalistas! Assim é a vida, eu simplesmente ignoro os estereótipos existentes e sigo em frente com minha música.

Per Raps: Alguns MC’s são notáveis por improvisarem bem, mas não conseguem compor músicas. É como se não connseguissem transpor o flow do MC freestyle para o artista com uma música de fato. Além disso, há outros artistas/MCs que apenas escrevem sobre sentimentos e tudo aquilo acaba se tornando real para eles mesmos. O que faz um MC/artista ser reconhecido como verdadeiro?

JME: Tudo o que você tem que fazer é uma pintura, uma agradável pintura. É assim que eu o avaliaria para sempre, mesmo que seja uma única faixa. Eu sempre terei em mente a pessoa talentosa que é. E evidentemente terei interesse em saber o que você irá dizer na próxima vez.

Per Raps: Você é conhecido pelo seu nível avançado e estilo agressivo no microfone. Quando está improvisando, independente da letra, qualquer palavra que você diga não faz diferença?

JME: Eu sou dois JME – um com uma linguagem inteligente e clara, o outro enraivecido, que não que ouvir ninguém. Eu troco meu ritmo quase que imediatamente no microfone, dependendo da letra que estou improvisando, às vezes mudo na metade do flow. Está tudo ligado na energia e na entrega disso. É exatamente o que torna a música excitante e imprevisível, exatamente o que as pessoas querem.

Per Raps: Existem poucas MC’s mulheres em uma cultura onde os homens prevalecem como a maioria. Quem é a sua MC favorita?

JME: Minha favorita é a Shystie. Recentemente, eu a vi em um vídeo no Tim Westwood Show. Ele me lembrou que 70% de um bom artista é todo o trabalho de um cérebro, ou seja, ela tem um cérebro.

O coletivo Boy Better Know (Divulgação)

O coletivo Boy Better Know (Divulgação)

Per Raps:  Quem  é o rei do grime para você?

JME: Não há um rei. Há pioneiros, pessoas que precisam estar no meio do mundo musical para manter sua energia, estes são; Boy Better Know (Skepta, Wiley, Frisco, Shorty e eu), Newham Generals (D Double E e Footsie), Dizee Rascal, Ruff Sqwad (Tinchy Stryder, Rapid, Dirty Danges, Fuda Guy, Roachee and Shifty), Cold Blooded, Flirta D, Bashy, …hmmm…há mais, mas os que eu mencionei são os cara que me inspiram e me fazem ACREDITAR que nossa música tem futuro.

Per Raps: Você é o irmão mais novo do Skepta, rola alguma disputa entre vocês?

JME: Ele é meu grande amigo, nós realmente não competimos, porque damos um ao outro o espaço que precisamos. Você precisa de espaço para ser criativo.

Per Raps: O BBK é um coletivo e um selo estabelecido por você e o Skepta. Você acha que hoje em dia é melhor não fechar com uma gravadora – como seria nos moldes padrões da indústria? É mais fácil cuidar da carreira, produzir e distribuir por conta própria?

JME: Existem duas maneiras pelas quais as pessoas assinam com selos. Ou elas não sabem como fazer sozinhas ou pelo dinheiro, dinheiro e dinheiro.

Per Raps: Atualmente, quem são os artistas no coletivo?

JME, Skepta, Wiley, Frisco, Shorty e DJ Maximum (o melhor Dj do planeta Terra)

Per Raps: O BBK é considerado um lucrativo selo independente, se pensarmos no cenário underground. Você é conhecido por vender camisetas com a estampa BBK, o que aparentemente é mais rentável do que a música.

JME: As camisetas foram algo acidental. Eu fiz uma para mim, depois de ter desenhado o logotipo. Daí Wiley me pediu uma, depois Skepta e então minha mãe…Foi quando eu fiz umas 50 camisetas e dei para minha família e amigos… Logo mais, as fotos já estavam “flutuando” pela internet e houve uma procura instantânea pelas camisetas do BBK. Agora estamos indo com força e resistência. Procurem pelas camisetas do BBK no Brasil! (risos)

Per Raps: No geral, como você definiria o BBK das outras crews?

JME: O Boy Better Know é um coletivo de pessoas que não precisa sempre uma das outras para funcionar 100%. Todos nós podemos fazer nossas próprias coisas. Então, quando estamos juntos, é como uma bomba nuclear!!!

Frisco, JME, Shorty, Skepta e Wiley (Divulgação)

Frisco, JME, Shorty, Skepta e Wiley (Divulgação)

Per Raps: A faixa “Too Many Man” é mais funky e tem umas batidas vibrantes, mas o que se escuta não é o habitual dos artistas do BBK. É uma música agitada e dançante. O que vocês quiseram dizer com “we need more girls in here”? Não tem garotas o suficiente?

JME: Skepta produziu as batidas, é uma faixa para clubes noturnos, basicamente, precisamos de mais meninas nas festas underground, a fim de mantê-las embaladas. Homens em demasia nunca é uma coisa boa, só no futebol. O vídeo foi feito por um diretor chamado Mo Ali.

Per Raps: Nós vivemos em uma sociedade totalmente desigual, com algumas diferenças no modo de pensar, mas o que torna o grime próximo do rap brasileiro e funk carioca é o estilo urbano de uma cultura do gueto. Ambos os lados têm uma maneira própria de fazer tudo isto acontecer. Abraçamos esta cultura e música e somos orgulhosos na nossa sociedade multicultural. Para finalizar a entrevista, o que você poderia dizer para os nossos MCs e rappers brasileiros; e aos leitores da Per Raps?

JME: Nunca se esqueça porque você faz a música que faz. O dinheiro vem depois do talento, logo o poder. Não dê um passo maior que a perna por dinheiro e poder, porque você vai se perder no final. Faça boa música (ou qualquer coisa que você faça) e tenha orgulho do seu trabalho. O público em geral é incostante e não terá a mesma opinião para sempre, então não preste atenção nas merdas que você ouve por aí. Seja VOCÊ MESMO e ACREDITE EM SI.

Saiba mais:

www.boybetterknow.com
www.myspace.com/jmeserious
www.youtube.com/user/ManBetterKnow
www.bbc.co.uk/1xtra/westwood/

Junho 19, 2009

Extra! Extra! Extra!

Aproveitando as boas novidades desta semana, o Per Raps dedicou um post apenas para isso. Tem estréia de clipe, de sons, encontro entre MV Bill e K’naan, gravação de DVD do Sombra e lançamento oficial da mixtape do Emicida.

Curta essa overdose de informações e não deixe de comentar!

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MV Bill conhece K’naan

O MC carioca, MV Bill está nos Estados Unidos participando do programa International Visitors, desenvolvido pelo Consulado e o Departamento de Estado americanos.

A intenção é de levar aos Estados Unidos nomes que tenham importantes atuações em seus países de origem, a fim de que conheçam organizações e pessoas que tenham experiências e conhecimentos semelhantes aos seus e realizem trocas de idéias a partir desses encontros.

No meio do caminho, MV Bill teve a chance de conhecer o rapper Somali, K’naan. Acompanhe o video acima e veja como foi. Aproveite e visite o blog do “Mensageiro da Verdade” para saber todos os detalhes dessa trip.

Blog MV Bill.

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Primeiro clipe do grupo Ataque Beliz

Ataque Beliz lança videoclipe

“Depois de diversos pensamentos, uma câmera digital e uma conclusão! Depois de uma semana de trabalho, edição e dedicação está ar! O primeiro videoclipe do Ataque Beliz da música “A Poesia”, que é faixa do disco Reconceito que estará nas ruas entre julho e agosto. – Benjamim, Ataque Beliz

Mais em A Candura Blog.

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Versu2 lança mistura de axé com rap

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O grupo Versu2, formado por Coscarque e Blequimobiu, acaba de lançar a faixa single “Que som é este man?”, que fará parte do seu disco de estréia. A música apresenta como novidade a mistura inusitada de Axé com Rap, e conta com a produção de Sinho Representativo, gravada por Fabiano Passos no Estopim Estúdio e mixada por Marechal, no Rio de Janeiro.

Você pode escutar o single no MySpace do Versu2 ou fazer download clicando aqui.
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Flora Matos lança som novo

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A MC Flora Matos acaba de lançar uma nova versão para a música “Pai de Família” em seu MySpace, feita em parceria com o Stereodubs, formado pelos Djs Lx e Leonardo Grijó. Abaixo, ela nos conta como foi fazer esse som:

“Essa música foi feita no final do ano passado. Costumo cantar ela em versões diferentes, dependendo da ocasião, e agora fiz uma nova versão com o pessoal do Stereodubs. Eu conheci o Dj Lx em 2006, no prêmio Hutuz, no Rio de Janeiro. Ele trabalhava junto com o MC Adikto, que também estava inscrito nas batalhas de MC que eu participaria.

Há cerca de um mês eu encontrei o Dj Lx aqui em São Paulo, e ele me disse que estava na cidade e que tinha umas novas produções. Uns dias depois meus amigos Pump Killa e Arcanjo Ras gravaram duas faixas no estúdioStereodubs. Quando eu ouvi gostei muito, entrei em contato com o Dj Lx e ele me entregou um CD com vários instrumentais. Em casa, vi a possibilidade de gravar essa música no beat que eu mais gostei.

Essa versão da música deve entrar numa coletânea da +Soma e num projeto do Dj LX e Dj Leo, que vão lançar uma mixtape com vários MCs e cantores diferentes em breve.

Confiram aí. Espero que gostem! – Flora Matos

StereoDubs feat. Flora Matos, “MC Pai de Familia”


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Sombra grava DVD no Centro Cultural São Paulo

Flyer DVD Sombra

Nesta sexta-feira (19 de junho), o rapper Sombra vai se apresentar ao público em show gratuito, no qual serão feitas as imagens para o primeiro DVD de sua carreira, previsto para ser lançado até o fim de 2009. Para apresentar faixas de seu mais recente trabalho – “Sem Sombra de Dúvida” (2008) –, Sombra estará acompanhado do Dj Ajamu (“Sintonia”) e da banda Projeto Nave.

Já as participações especiais vão subir ao palco para compartilhar gravações feitas em estúdio: Thaíde canta “Apresento meu amigo”, Sandrão (RZO) e Tio Fresh (SP Funk), parceiros em “Computador” e Rael da Rima (Pentágono), que está em “Mano eu vou ali comprar um chá”. Também vão dividir o “mic” com Sombra, Nato e Sóbrio (“Imortais”); Leco (Projeto Manada); Gilmar de Andrade (irmão de Sombra), além de Vicktito (NVC), que homenageará Alex Tio Nenê, seu ex-parceiro de “mic”, precocemente falecido.

O percussionista Kuriaki (Terreiro Stéreo) e o cavaquinho de Fernando Lima também vão fazer parte dessa festa-show, que promete ser uma grande celebração, marcando mais um momento vitorioso na carreira de Sombra, que já conta com 15 anos de estrada. Além de músicas já conhecidas de seu público, Sombra vai apresentar quatro composições inéditas.

Sombra MC @ Gravação de DVD no CCSP
Sexta, 19 de junho às 19:00
No CCSP/ Entrada livre
Endereço:R. Vergueiro, 1.000, Liberdade. Tel.: 0/xx/11/3397-4002.
Classificação etária: livre
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Emicida lança mixtape na Rinha dos MCs

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Neste sábado, 20 de junho, a Rinha dos MCs realiza uma edição especial no Hole Club. A noite marca o lançamento da elogiada mixtape de Emicida. “Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe…”. Por encomenda via e-mail e com a ajuda de lojas do centro da cidade e amigos, o MC vendeu mais de 3.000 CDs de mão em mão. A mixtape está nas ruas desde 1º de maio e já tem pontos de venda em outras cidades brasileiras e até mesmo no Japão.

O material, que rendeu 25 faixas, foi gravado pelo MC no primeiro trimestre de 2009, na companhia de DJ Nyack, Fióti, Marechal, Slim Rimografia, Nave, Damien Seth, o produtor canadense Lou P, Rashid, Projota, Dario, Leo Cunha, Daniel Cohen, Mariana Timbó, Rael da Rima e outros.

Rinha dos MCs @ Hole Club
Rua Augusta, 2203, Jardins (próximo ao metrô Consolação)
Sábado, 20 de junho, 23h
Homem: c/flyer R$ 12, s/flyer R$ 15 Mulher: c/flyer R$ 10; s/flyer R$ 12

Mais sobre Emicida:
www.flickr.com/emicida
www.myspace.com/emicida
http://embaixadordarua.blogspot.com

O que achou dos vídeos? E dos sons novos? Vai colar na gravação do Sombra, no CCSP ou no show do Emicida, na Hole Club?

Junho 16, 2009

Thig Smith fala sobre carreira solo – Parte I

thig

Thig Smith deixou o Relatos da Invasão e vai se dedicar à carreira solo

“Cê ta no Jaçanã, ta na picadilha”. Que fã de rap não conhece o refrão de Picadilha Jaçanã, do grupo paulista Relatos da Invasão? Em pouco tempo, a música, lançada no disco É o Gigante, de 2006, ganhou destaque e se tornou um dos poucos hits recentes do rap nacional, sendo tocada exaustivamente em bailes, festas e afins, nos últimos três anos. Com ela, o grupo também conseguiu espaço na MTV, que hoje tem em Picadilha Jaçanã um dos únicos clipes de rap nacional da sua programação.

Apesar do início promissor, o Relatos – formado por Thig, Negrinho e Dj Pampa – não deslanchou e teve de se virar em um dos momentos mais complicados da história do rap, em termos de aceitação da mídia e do público em geral. Quase dez anos após sua formação, no final de 2008, o líder do grupo, Thig Smith, decidiu deixar o Relatos da Invasão para seguir sua carreira solo.

No Per Raps, o rapper Thig Smith, de 25 anos, fala pela primeira vez sobre essa nova etapa da sua carreira, sobre o distanciamento do grupo, o sucesso de Picadilha Jaçanã, entre muitos outros assuntos. Aqui você também confere em primeira mão uma música nova, que será lançada como um single para os Dj’s tocarem nas festas.

Confira:

Relatos da Invasão

Nós ainda estamos fazendo alguns shows com o Relatos, mas eu estou partindo pra carreira solo. A gente não vai mais fazer música juntos por enquanto. Eu quero estar sozinho, talvez pelo fato de eu ser muito individualista, egoísta. Eu era o líder do grupo, mas eu não quero ser responsabilizado pela glória ou pela derrota de ninguém, eu sou responsável por mim, só por mim.

Essa conversa de parar com o Relatos foi tranquila, a gente é muito amigo. Sempre fomos de trocar uma idéia bem reta, bem clara, então não teve briga, não teve nada. Eu falei com o Negrinho, expliquei meus motivos, depois fomos no Pampa, conversamos e nos acertamos. Isso foi em dezembro de 2008. Eu não tenho nada pra falar dos caras, eles sempre foram meus parceiros, 100% profissionais. Só que eu gosto de liberdade, então resolvi seguir meu caminho.

Agora a gente – eu, Negrinho e o Dj Pampa – tem que aproveitar o nome do Relatos da Invasão, claro. Temos que aproveitar as mesmas portas que já foram abertas no passado, foi a gente que construiu isso.

Picadilha Jaçanã

Com a música a gente conseguiu fazer show em vários bailes, dos mais elitizados, como a Clash, até o Zezão Eventos, que é mais de raiz, para os pretos mesmo. Então ver minha música tocando no Sambarylove, nesses bailes que eu ia quando era menor, isso foi da hora porque eu não via, não vejo o rap nacional tocando. Eu fico triste por isso, queria que a gente estivesse no mesmo nível dos gringos, queria que tocasse minha música nas festas que eu colo.

Evolução

No disco do Relatos eu ainda tinha certas idéias que hoje eu não tenho. Eu achava que ao falar de um moleque que mora na rua numa música, você estaria ajudando ele, mas hoje eu vejo que isso é errado. Você não ta ajudando ele, você vai ajudar ele se você fizer que nem o Netinho de Paula faz. Ele trampa, corre atrás, e depois ajuda um monte de gente, proporciona a oportunidade de ajudar as pessoas efetivamente. Antigamente revolução pra mim era fazer umas músicas de protesto, nervosas, e hoje eu já não vejo isso da mesma forma.

Revolução hoje pra mim é eu conseguir sobreviver do meu trabalho, ganhar um dinheiro, fortalecer a minha quebrada. Pegar um mano que está vendendo droga na esquina e falar: “Você vai trabalhar pra mim, vai ser segurança do meu show”. Isso é revolução.

Eu sou um cara que gosto de estar no tempo. Eu acho que a música é uma junção do tempo, da ocasião e você ainda tem que ter uma malandragem pra conseguir transmitir aquilo que o seu espírito está querendo dizer. Antigamente eu pegava a caneta pra escrever num momento em que eu estava mais triste ou pensativo, mas agora eu procuro pegar minha parte boa pra escrever, um momento em que eu esteja melhor. Lógico que eu ainda escrevo em outros momentos, mas hoje eu prefiro passar pras pessoas o meu lado bom, ao invés do meu ódio e da minha depressão.

carreira solo

Thig promete fazer músicas mais voltadas para as pistas e as mulheres

Eu quero fazer bastante música pra mulher, eu sou um cara romântico. Eu acho que tem que focar bastante as mulheres porque o rap é foda, você sai do palco e vem um monte de homem falar com você (risos). É legal, mas eu queria que as mulheres viessem também, que elas se identificassem. E pra agradar elas tem que seguir a linha delas. Mulher é sensível, não gosta de música pesada, elas querem um som mais agradável.

Rap no Brasil

Por incrível que pareça, os únicos caras que estão na mídia, que estão conseguindo fazer o rap andar, são o Cabal e o D2. Quem de rap a gente tem hoje que é ouvido desde os moleques da favela até a classe alta? Os caras falam que não ouvem, mas eu vejo vários moleques lá da minha favela que estão andando de skate ouvindo D2. Eu ouço os moleques saindo da quebrada pra ir curtir na noite e eles estão ouvindo Cabal, eles são obrigados a ouvir. Porque é um dos únicos caras que faz um som agradável, pra pista, além de uma rapaziada nova que está chegando.

Esses são os caras que estão aí. Pode falar o que for dos caras, mas eles são os caras que estão fazendo o rap andar. Tem gente que fala: ‘Ah, mas o Cabal não é da rua’. E aí? Ele fez um rap com o Chitãozinho e Xororó. Ele está fazendo o rap andar. Fez um rap com o Charlie Brown Jr., coisa que antes eu via o RZO, o Sabotage fazendo. Eu queria ver uns rappers mesmo tipo Sabotage, Rappin Hood, fazendo a coisa andar mais, com várias participações. As pessoas criticam muito e esquecem da música, você tem que avaliar a música. Eu não quero saber se você fez música com a Wanessa Camargo, eu quero saber da música. A música é boa? Você gostou do vocal dela, do que ela falou? Gostou do beat? Eu não quero saber da Wanessa Camargo, quero saber da música.

É difícil de ouvir rap hoje. Se eu to no meu carro com a minha mina eu vou ouvir o quê? Tem uns caras do rap que tem mais uma malandragem, que são bons, tem, mas é ‘os mano’ ainda. Eu quero ouvir uma música que minha mina ouça e fale: ‘Esse som é da hora hein’. Pode falar o que for de ‘Senhorita’, mas as menininha do gueto gostam, a música é agradável. Não que os caras não tenham que focar o outro lado. Não dá pra ficar na mesmice também, falar que é tudo festa porque aí é mentira. Mas se falar que é tudo terror, também é mentira.

show solo

O rapper em em ação durante seu novo show solo

Single

As músicas já estão prontas, estão sendo finalizadas no estúdio do Dj QAP, o QAP Operante. Serão três músicas, que eu vou distribuir pros Djs e vender algumas cópias também. Uma das músicas vai chamar ‘Rolê Club’ ou ‘Clube do Rolê’, ainda estou decidindo, que é mais a minha cara, uma música mais funk, e foi produzida pelo Dedé, do Raciocínio das Ruas.

A outra se chama Ficar Rico, que é mais um crunk, o estilo de som que ta tocando nas festas americanas. Esse som foi produzido pelo Green Alien, um moleque da zona leste, meu parceiro, do grupo Klasse Korreria.

E tem uma música produzida pelo Dj Max, um moleque de Guarulhos que é bom pra caralho, já produziu pra vários caras, pro Lito Atalaia, Tio Fresh. Essa música que eu fiz com ele é mais voltada aos bailes, mais pop pista e o nome dela é ‘Número 1’. Elas vão estar nas ruas em breve, provavelmente no mês que vem. Quero soltar elas pra depois vir com o disco, vai ser uma prévia do disco.

Acesse o Blog e o MySpace de Thig Smith.

Ouça em primeira mão o som Número 1, de Thig Smith:

Leia mais sobre Thig no blog D.O.C Recordz.

Na segunda parte da entrevista, Thig fala sobre os fatores que, na sua opinião, não permitiram que o rap estivesse hoje em uma posição de destaque no cenário musical brasileiro.

Junho 14, 2009

Imagens da volta do Simples

Como já dizia o ditado popular, “uma imagem vale mais que mil palavras”! Por isso, o Per Raps traz algumas imagens do show que o Simples realizou na Hole Club, no dia 06 de junho. Além de Kamau, Rick, Stefanie, Dieguinho Beatbox e o Dj Will, ainda rolou a presença especial de Rincón Sapiência e Rashid.

Se você também foi ao show, mande fotos e víeos nos comentários! Aproveite para dizer o que achou da apresentação, caso tenha ido, e das fotos da colaboradora Janaína Castelo Branco.

Stefanie e Kamau na rima by Janaína Castelo

Stefanie e Dieguinho Beatbox por Janaína Castelo Branco

Kamau e Rick por Janína Castelo

Kamau e Rick por Janaína Castelo Branco

Rashid, Kamau, Rinón Sapiência e Dieguinho Beatbox por Janaína Castelo

Rashid, Kamau, Rincón Sapiência e Dieguinho Beatbox por Janaína Castelo Branco

Kamau, Dj Will (centro) e Rick por Janaína Castelo Branco

Kamau, Dj Will (centro) e Rick por Janaína Castelo Branco

Rick e Stefanie por Janaína

Rick e Stefanie por Janaína Castelo Branco

Rick, Kamau, Dieguinho Beatbox e Stefanie por Janaína Castelo

Rick, Kamau, Dieguinho Beatbox e Stefanie por Janaína Castelo Branco

*Props pra Gisele Coutinho pela revisão!

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